Open Dialogue:
Uma Abordagem Relacional e Dialógica no Tratamento da Psicose
A psicose continua a constituir um dos maiores desafios da prática clínica e dos serviços de saúde mental. Pela intensidade do sofrimento psíquico, pelo impacto nas famílias, pela urgência da crise e pela tendência para respostas fragmentadas, somos frequentemente convocados a pensar modelos de intervenção que não se centrem apenas no sintoma ou no indivíduo isolado, mas que integrem a pessoa, a família, a rede social e os profissionais envolvidos.
É neste contexto que o Open Dialogue, ou Diálogo Aberto, se torna particularmente relevante.
Com origem na Lapónia Finlandesa, nos anos 80, o Open Dialogue desenvolveu-se como uma abordagem comunitária, relacional e dialógica para responder às crises psicóticas e ao sofrimento mental grave. Ao contrário de modelos mais tradicionais, centrados sobretudo no indivíduo e na definição rápida de um plano terapêutico fechado, propõe a criação de espaços de encontro, escuta e diálogo, envolvendo desde o início a pessoa em sofrimento, a sua família, a sua rede significativa e os profissionais relevantes.
Na sua essência, esta abordagem parte de uma ideia profundamente clínica e humana: a recuperação não acontece no isolamento, mas no interior das relações.
Mais do que uma técnica, o Open Dialogue propõe uma outra cultura de cuidado: uma cultura que valoriza a escuta antes da conclusão, o encontro antes da fragmentação, a continuidade antes da interrupção, a tolerância da incerteza antes da precipitação diagnóstica e a construção partilhada de sentido antes da imposição de uma narrativa única sobre a crise.
A investigação internacional tem vindo a associar esta abordagem a resultados promissores no tratamento da psicose, nomeadamente na redução de hospitalizações, recaídas e utilização prolongada de medicação antipsicótica, bem como na promoção da recuperação funcional, relacional e social. Estes dados têm contribuído para um interesse crescente pelo Open Dialogue e para a sua adaptação a diferentes contextos clínicos, comunitários e institucionais.
Esta formação será orientada pelo Dr. João G. Pereira, PhD, pioneiro na introdução e implementação do modelo Open Dialogue em Portugal, no contexto da Casa de Alba / Fundação Romão de Sousa, e com um percurso clínico, académico e internacional na área da saúde mental grave, das comunidades terapêuticas democráticas, das práticas relacionais e do Open Dialogue.
10 de Outubro de 2026 (Sábado)


Investimento
120€ — valor para inscrições realizadas até 11 de setembro
145€ — valor para inscrições realizadas a partir de 12 de setembro
Faça aqui a sua inscrição
Carga horária:
8 horas síncronas + 4 horas assíncronas
9h30 às 18h30
(On line ou presencial em Lisboa)
Objetivos Gerais
Esta formação foi pensada como um espaço de introdução, reflexão e aprofundamento clínico sobre os fundamentos do Open Dialogue, com especial enfoque no tratamento da psicose.
No final da formação, os participantes deverão ser capazes de:
Compreender a origem, os fundamentos e os princípios centrais do Open Dialogue;
Conhecer a sua aplicação no tratamento da psicose e das crises psiquiátricas graves;
Refletir sobre a importância da família, da rede social e dos contextos de vida no processo terapêutico;
Compreender o papel das reuniões de rede e da tomada de decisão partilhada;
Identificar conceitos fundamentais como dialogismo, polifonia, continuidade psicológica e tolerância da incerteza;
Pensar a psicose a partir de uma perspetiva relacional, comunitária e contextual;
Refletir sobre os desafios e possibilidades de implementação desta abordagem em diferentes contextos de saúde mental.
Destinatários
Psicólogos, psicoterapeutas, psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais, técnicos de intervenção comunitária, estudantes e outros profissionais de saúde mental interessados na intervenção com psicose, crise, famílias, redes sociais e modelos comunitários de cuidado.
Coordenação Científica


Maria de Jesus Candeias, PhD
Diretora Clínica do Relational Minds Institute
Psicoterapeuta de orientação Psicanalítica Relacional, Terapeuta Familiar e Psicóloga Clínica, com especialidades avançadas em Psicoterapia, Psicologia da Justiça e Psicologia Comunitária pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (Cédula 5335). Supervisora clínica.
Investigadora no APPsyCI – Research Center | ISPA – Instituto Universitário
Professora Universitária na ESEL – Universidade de Lisboa, Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental
Doutorada em Psicologia Clínica, com investigação na área da Perturbação Borderline, comportamentos suicidários e trauma.
Membro fundador e membro da Direção da PsiRelacional – Associação de Psicanálise Relacional.
Coordenadora Pedagógica da Especialidade Avançada em Psicoterapia Psicanalítica Relacional.
Formadora nos Seminários Clínicos I e II da Especialização Avançada de Psicoterapeutas da PsiRelacional.
Prof.ª Dr.ª Maria de Jesus Candeias, Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta Relacional e Docente Universitária
Doutorada em Psicologia Clínica, na área da Perturbação Borderline, Trauma e Comportamentos suicidários.
Especialista Convidado


João G. Pereira, PhD
Psicólogo Clínico, Psicoterapeuta, Supervisor, Consultor e Professor, com um percurso clínico e académico internacional na área da saúde mental grave, comunidades terapêuticas democráticas, práticas relacionais e Open Dialogue.
Foi pioneiro na introdução e implementação do modelo Open Dialogue em Portugal, no contexto da Casa Alba / Fundação Romão de Sousa, onde exerceu funções de Direção Clínica.
Desenvolveu parte importante do seu percurso profissional no Reino Unido, em contextos ligados ao NHS, e é Senior Lecturer / Associate Professor em programas doutorais no Metanoia Institute e na Middlesex University.
É também Staff Member, Trainer and Supervisor no INLLE - International Network of Living Learning Experiences, e Mentor em Peer Supported Open Dialogue pela Academy of Peer Supported Open Dialogue, em Londres.
Dr.º João G. Pereira
Psicólogo Clínico, Psicoterapeuta, Supervisor, Consultor e Professor
Formação Certificada
Open Dialogue:
Abordagem relacional e dialógica no tratamento da psicose
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